5 tendências no cooperativismo de crédito em 2023

Mesmo que 2022 tenha sido um ano de incertezas, o cooperativismo de crédito cresceu e ganhou destaque no cenário nacional. Para se ter uma ideia, dados do AnuárioCoop 2022 mostraram que, entre 2019 e 2021, o número de cooperados ligados ao ramo cresceu de 10,8 milhões para quase 14 milhões de associados.

A razão de tal ascendência mesmo em um cenário incerto? A oferta de soluções financeiras que atendeu às necessidades das comunidades, mesmo em tempos de crise.

Em 2023, o segmento financeiro cooperativo deve enfrentar novas transformações, oportunidades e desafios. Algumas das tendências que devem entrar no planejamento estratégico das organizações apontam para:

  • A nova legislação do setor;
  • O movimento do Open Finance;
  • A relevância dos aspectos de ESG no cooperativismo financeiro;
  • A intercooperação entre sistemas;
  • E a customização da experiência do associado. 

Esses fatores impõem adaptação e inovação por parte das cooperativas para se manterem competitivas em um mercado cada vez mais exigente. Confira, abaixo, as principais tendências no cooperativismo de crédito para 2023.

1. Modernização do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo

Com as novas regras do sistema cooperativo nacional, instituídas pela sanção da Lei Complementar 196/2022, que atualiza a Lei Complementar 130/2009, o cooperativismo financeiro ganha ainda mais força.

Tal modernização apoia a competitividade do setor, a eficiência e a oferta de produtos e serviços, além de promover a inclusão financeira e o acesso a serviços bancários, especialmente para aqueles que estão em regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos. 

Entre as alterações introduzidas pela nova lei, destacam-se:

  • As cotas-partes dos cooperados tornam-se impenhoráveis;
  • Permissão de campanhas promocionais para a atração de novos associados;
  • Autorização para oferecer novos produtos aos seus cooperados;
  • Inclusão das confederações de serviços no sistema;
  • Novas regras de desligamento de cooperativa singular da cooperativa central de crédito. 

Com isso, o desafio neste ano será implementar as mudanças e inovações do novo marco no dia a dia das cooperativas, na estratégia e produtos, além da reestruturação de boas práticas de governança.

2. Open Finance

O Open Finance é uma iniciativa do Banco Central do Brasil para o compartilhamento padronizado de dados e serviços financeiros, por meio da integração de sistemas entre as instituições participantes e autorizadas pelo órgão.

Em resumo, o objetivo é estimular a competitividade dos sistemas financeiros e promover a inovação e melhora na oferta de produtos e serviços para o consumidor. 

Na prática, isso significa que clientes pessoa física ou jurídica de produtos e serviços financeiros terão mais agilidade, transparência e liberdade de escolher como, quando e com quem compartilham seu histórico financeiro. Seja para abrir uma conta em uma cooperativa e contratar crédito em outra, por exemplo.

Essa tecnologia pode ser uma oportunidade real de novos negócios. De acordo com o Relatório de Economia Bancária de 2020 do Banco Central, empresas que buscaram crédito nos sistemas cooperativos tiveram taxas de sucesso maiores do que aquelas que atuaram no setor bancário tradicional.

Considerando que as jornadas do consumidor podem começar em uma instituição e terminar em outra – o que abre margem para novos cooperados – investir na transformação digital e no relacionamento com o cliente é o ponto-chave para entender suas reais necessidades.

Mostrar os benefícios que o cooperativismo financeiro tem a oferecer e apresentar produtos e serviços customizados para realidade desse consumidor, estimula a concorrência saudável entre as instituições financeiras. Confira mais sobre o Open Finance neste outro post.

3. ESG

Não tem como falar de tendências no cooperativismo de crédito sem citar o ESG (em português, Ambiental, Social e Governança). A sigla se refere a um conjunto de práticas e padrões para avaliar a sustentabilidade e o impacto social de uma empresa ou negócio. 

  • Fatores ambientais: impacto de uma organização no mundo natural, incluindo suas emissões de carbono, resíduos e uso de recursos. 
  • Fatores sociais: se referem a atuação da instituição junto aos seus colaboradores, clientes e as comunidades nas quais atua. 
  • Fatores de Governança: se concentram na liderança do negócio, na remuneração dos executivos, nas auditorias e no comportamento ético. 

Estes conceitos não são uma novidade para o cooperativismo. Muito antes do termo ESG estar em evidência, as coops já tinham em seus princípios ações voltadas à sustentabilidade e ao bem-estar da comunidade e do planeta.

Para o cooperativismo de crédito, essa pauta tem ganhado ainda mais importância, por conta das exigências de responsabilidade social, ambiental e climática feitas pelo Banco Central do Brasil, prevista nas Resoluções CMN nº 4.327/14 e CMN nº 4.606/2017, para todas as instituições do sistema financeiro.

Para avaliar a relevância dos aspectos de ESG no cooperativismo financeiro, a PwC conduziu um estudo com 165 entidades brasileiras do setor. De acordo com a pesquisa, mais da metade (51%) das instituições do país acreditam na relevância e incorporação do ESG na estratégia da cooperativa para atrair e reter cooperados.

Apesar disso, 52% das lideranças entrevistadas afirmaram que a cooperativa de crédito em que atuam não tem metas específicas para incorporar as práticas no seu dia a dia. 

O cooperativismo já tem os princípios de ESG em seu DNA. O grande diferencial, frente ao mercado financeiro mercantil, será traçar estratégias e se preparar, o quanto antes, para fazer dessa experiência uma oportunidade de liderar iniciativas, ser referência e transformar a maneira de fazer negócios no país. 

4. Intercooperação

A intercooperação é um conceito importante no cooperativismo, que se refere à colaboração entre cooperativas de diferentes ramos de atividade ou regiões geográficas. Além de um princípio cooperativista, é uma estratégia para o desenvolvimento econômico e social das cooperativas, pois possibilita a ampliação dos mercados e a obtenção de economias de escala.

Mas, na prática, pode não ser tão fácil estabelecer esse vínculo de parceria.

A Coonecta realizou uma pesquisa com cerca de 20 profissionais do ramo crédito e identificou a dificuldade do segmento em unir forças e ganhar competitividade. Entre as motivações abordadas estavam: 

  • Diferenças de estruturas e modelos organizacionais. Cada sistema pode ter suas próprias características e demandas, o que dificulta a criação de acordos e a integração de atividades.
  • Competitividade. Muitas vezes, as cooperativas de crédito podem ter medo de perder autonomia ou de serem absorvidas por outras instituições, o que pode gerar resistência à colaboração.
  • Compartilhamento de informações e de recursos. É necessário que haja uma estrutura de governança clara e transparente para garantir a confiança e a integridade das operações.

5. Hiperpersonalização

O cliente ou cooperado de hoje está cada vez mais exigente. Seja pela busca da melhor experiência de atendimento, os melhores preços e até a agilidade para solucionar seus problemas. É inegável que a pandemia foi o combustível para acelerar ainda mais essa jornada, uma vez que o consumidor passou a utilizar muito mais os canais digitais e compras pela internet, por exemplo.

Mas de que forma a hiperpersonalização pode se encaixar nesse novo hábito de consumo?

As mudanças tecnológicas já atingiram diversos segmentos do mercado. Com o cooperativismo não é diferente e já vemos esse movimento de transformação digital, com o uso de tecnologias como blockchain, automatização de processos e inteligência artificial. 

A hiperpersonalização vai além da experiência do cliente e a tecnologia impulsiona esse movimento. Assim, a prática fornece uma experiência customizada e direcionada a um indivíduo com base em dados coletados sobre ele, por meio de machine learning

Se pararmos para pensar, isso já acontece sem que possamos nos dar conta. Por exemplo: quantas foram as vezes que você recebeu recomendações de produtos baseadas em suas compras anteriores? Ou então, anúncios personalizados de empresas e serviços, de acordo com uma simples busca feita anteriormente?  

O ponto é: como as instituições financeiras cooperativas podem se beneficiar desse movimento? Elenco aqui algumas alternativas:

  • Serviços bancários mais personalizados, como contas correntes adaptadas às necessidades de cada membro e recomendações de investimentos baseadas em seus objetivos financeiros individuais.
  • Suporte personalizado aos cooperados que enfrentam dificuldades financeiras, como ajuda para gerenciar dívidas ou planejar um orçamento.
  • Programas de fidelidade e recompensas mais personalizados aos seus membros, como descontos em produtos e serviços selecionados com base em seus interesses e hábitos de compra.

Na prática, é imprescindível incorporar uma gestão data driven onde seja possível ter uma visão unificada do cooperado. Desta forma, é possível antecipar as necessidades do indivíduo e estabelecer um relacionamento ágil e próximo. Certamente são pontos importantes que podem ser um diferencial competitivo para as instituições. 

Um evento para discutir os desafios e as tendências no cooperativismo de crédito brasileiro

Vimos algumas das tendências no cooperativismo de crédito que devem entrar na pauta de discussões estratégicas do setor este ano. Esses e outros temas também serão objeto de estudo durante o Cooptech Crédito, um evento para discutir e apresentar as melhores práticas para superar os desafios das coops de crédito.

Com realização da Coonecta, a primeira edição do congresso acontece nos dias 24 e 25 de maio de 2023, em São Paulo, e é um desdobramento do Cooptech – evento pioneiro sobre inovação no cooperativismo para cooperativas de todos os ramos. Já no Cooptech Crédito aprofundaremos o conteúdo nas demandas específicas das cooperativas de crédito.

O encontro vai reunir a alta e média liderança dos departamentos estratégicos das cooperativas de crédito para discussão de casos práticos e ações concretas para a transformação digital dos serviços financeiros cooperativos. 

Com público intimista, a ocasião é a oportunidade ideal para fazer networking e conhecer estratégias e projetos em andamento, apresentados por quem está colocando a mão na massa. Clique aqui para conhecer um pouco mais sobre o evento e garantir o seu convite. Nos vemos lá!

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Thaís Gallonetti
Thaís Gallonetti
Jornalista com atuação na produção de eventos corporativos e sociais. É apaixonada por café, séries e viagens. Atualmente é analista de conteúdo para eventos na Coonecta.