Novos ramos do cooperativismo aumentam representatividade das cooperativas

O Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2019 trouxe novidades e perspectivas para o setor. Publicado pela OCB (Organização das Cooperativas do Brasil), o documento retrata a expressividade do setor e as mudanças nos ramos do cooperativismo no Brasil.

De acordo com o presidente da OCB, Márcio Lopes de Freitas, o Anuário é um banco de dados para os ramos do cooperativismo. Inclusive para o cooperativismo de plataforma. Além disso, a edição 2018 apresentou a nova organização dos ramos do cooperativismo.

Dentre os dados compilados, está o crescimento na quantidade de pessoas empregadas em cooperativas. Esta é uma informação relevante. Afinal, entre 2014 e 2018 a quantidade de pessoas empregadas em cooperativas cresceu 17,8%.

Por si só, o resultado é expressivo. Mas é ainda mais impressionante quando comparado à evolução da população ocupada no País como um todo no mesmo período, de apenas 5%.

No total, são 435,3 mil pessoas trabalhando em cooperativas em todo o Brasil. Dentre essas pessoas, muitos jovens que optam por trabalhar nos diversos ramos do cooperativismo.

Dentre os ramos do cooperativismo, as que mais empregam são as cooperativas agropecuárias, com 209.778 trabalhadores. Mas outro setor apresentou maior crescimento na quantidade de pessoas ocupadas. O ramo de cooperativas de trabalho viu a quantidade de pessoas ocupadas crescer 441,4% entre 2014 e 2018, de 943 para 5.105 pessoas.

Outro dado relevante diz respeito à quantidade de cooperados nos ramos do cooperativismo: 14,6 milhões de cooperados. Neste ponto, o destaque é para o ramo mineral, que cresceu 152,1% neste tópico. Crescimento similar foi registrado dentre cooperativas de turismo e lazer, com 145,7% de alta.

Cooperativas em expansão

De forma geral, o cooperativismo está em expansão. Prova disso é o crescimento de 62% na quantidade de cooperados entre 2010 e 2018. Além disso, o número total de cooperativas em atuação no País é bastante expressivo.

São 6.828 cooperativas, sendo que 2.438 se encontram na Região Sudeste. São Paulo e Minas Gerais são os Estados com a maior quantidade de cooperativas, com 1.025 e 771, respectivamente.

No entanto, há outros Estados com volume expressivo de iniciativas em diversos ramos do cooperativismo. Bons exemplos são o Pará, com 541 cooperativas, e o Distrito Federal, com 367. O Estado com a menor quantidade de registros, o Tocantins, conta com 31 cooperativas.

Quanto à quantidade de cooperados, a Região Sudeste concentra 5.457.398 pessoas associadas a cooperativas distribuídas entre seus quatro Estados. No entanto, a região com maior quantidade de cooperados é a Sul, com 7.077.190 pessoas.

O Sul também desponta na quantidade de empregados em cooperativas. São 226.414 pessoas em atividades dos diversos ramos do cooperativismo na região.

Entre 2014 e 2018 houve leve alteração no perfil dos cooperados com relação ao gênero. Em 2014, dos 12,7 milhões de cooperados existentes, 33% eram mulheres. Este percentual subiu para 36% no registro de 2018.

Houve aumento da participação feminina também no quadro de dirigentes. Em 2017, 24% dos dirigentes eram mulheres. Esse percentual subiu para 25% em 2018.

Importância do cooperativismo

O cooperativismo contribui para o desenvolvimento sustentável. De acordo com o Anuário da OCB, um dos motivos para a força do cooperativismo é a pluralidade de ideias, opiniões e visões, com foco na gestão democrática.

Assim, além do crescimento de 18% na quantidade de postos de trabalho, o cooperativismo responde por expressivos resultados financeiros.

Somadas, as cooperativas brasileiras recolheram R$ 7 bilhões em impostos e tributos em 2018. Outros R$ 9 bilhões foram pagos em forma de salários e benefícios. Um total de mais de R$ 16 bilhões foi pago na forma de tributos e despesas com pessoal.

As cooperativas somam R$ 351,4 bilhões em ativos. Em 2018 foram R$ 259,9 bilhões em ingressos e receitas brutas, levando a R$ 7,6 bilhões de sobras (lucro) do exercício.

Apesar de sua importância financeira e econômica, o cooperativismo ainda não é amplamente difundido no País.

Como o cooperativismo é visto

No Anuário 2018, a OCB avaliou a percepção dos brasileiros sobre cooperativismo em pesquisa com 6.700 pessoas. A pesquisa revelou que 40% dos brasileiros conhece o cooperativismo, com conhecimento maior dentre a população de maior renda. Nas classes A e B, 66% e 63% das pessoas, respectivamente, conhece o cooperativismo. Este percentual não passa de 38% nas classes C e D.

Dentre as regiões do País o conhecimento também é desigual. No Sul 67% das pessoas afirmaram conhecer os ramos do cooperativismo. No Norte e Nordeste os percentuais são de, respectivamente, 38% e 36%. No Sudeste, 42% e, no Centro-Oeste, 54%.

Dentre os Ramos do Cooperativismo com os quais os brasileiros mais se relacionam estão: Saúde (41%), Transporte (40%), Consumo (35%) e Crédito (34%). De forma geral, a avaliação da qualidade dos produtos e prestação de serviços oferecidos por cooperativas é de 7,6 numa escala de 0 a 10.

A pesquisa se estendeu aos parlamentares. A 5ª Rodada da Pesquisa de Opinião Parlamentar coletou opiniões de 245 Deputados e Senadores de 28 partidos e 27 Estados.

A partir da pergunta “O que pensam os parlamentares sobre o cooperativismo?”, a pesquisa constatou que 75,5% têm percepção positiva sobre o cooperativismo. A percepção é melhor do que em 2017, quando 72,5% avaliaram positivamente. No entanto, é inferior a 2013 e 2015, quando a avaliação flutuou de 83,6% para 90,7%.

Mudanças nos Ramos do Cooperativismo

Até 2019, haviam 13 ramos do cooperativismo para organizar a atuação das cooperativas brasileiras. Em 2018 o Sistema OCB promoveu debates para reorganizar estes ramos.

Por trás desta iniciativa estava a necessidade de aumentar a representatividade de alguns ramos do cooperativismo. Afinal, alguns deles não contavam com membros suficientes para, por exemplo, compor conselhos.

Além disso, de acordo com a  Lei nº 5.764, da Política Nacional de Cooperativismo, é preciso garantir ampla liberdade de atividade para todas as cooperativas. Assim, não faria sentido manter ramos do cooperativismo tão específicos e algumas cooperativas passaram a ser abrigadas em outros ramos do cooperativismo.

A divisão em ramos não é uma exigência da lei 5.764 e a classificação não provoca impacto na atuação das cooperativas ou em aspectos tributários, fiscais, legais ou sindicais. A nova classificação tem efeito apenas internamente no Sistema OCB para promoção de ações específicas.

Confira como ficou a nova organização dos agora sete ramos do cooperativismo:

Ramo Produção de bens e serviços

É a nova denominação do Ramo Trabalho. Assim, cooperativas de produção, de produtos minerais, parte das de turismo e lazer, especiais e de professores passam a fazer parte deste ramo. A ideia é abrigar cooperativas que prestam serviços especializados a terceiros e aquelas que produzem bens.

Ramo Infraestrutura

É o ramo do cooperativismo para cooperativas dedicadas à prestação de serviços relacionados a infraestrutura. Ou seja, que atuam, por exemplo, com geração e compartilhamento de energia. Com a incorporação do Ramo Habitacional, abrange cooperativas de construção de habitações.

Ramo Consumo

Ramo do cooperativismo para cooperativas que realizam compras em comum para proporcionar melhores condições aos cooperados. Engloba também cooperativas formadas por pais para contratação de serviços educacionais e as de consumo de serviços turísticos. Parte das cooperativas do Ramo Turismo e Lazer passam a ficar neste ramo.

Ramo Transporte

O nome deste ramo permanece o mesmo, mas houve alterações no conceito do ramo que abriga cooperativas de transporte. Para estar nesta classificação é preciso que o cooperado seja proprietário ou possuidor do veículo. Isso significa que este ramo não contempla cooperativas formadas por motoristas que não detenham posse ou propriedade dos veículos de carga ou passageiros que dirigem. Estes, por sua vez, são classificados no Ramo Produção de Bens e Serviços.

Há cooperativas que se dedicam a transporte turístico, transfers e bugues. Nos casos em que estes cooperados sejam proprietários ou possuidores dos veículos, devem ser enquadrados no Ramo Transporte.

Ramo Saúde

Ramo composto por cooperativas formadas por médicos, odontólogos ou profissionais ligados à saúde humana enquadrados no CNAE 865. O novo Ramo Saúde engloba cooperativas de usuários reunidas para constituir planos de saúde, consideradas operadoras.

Ramo Agropecuário

Não houve alteração neste ramo, composto por cooperativas agropastoris e de pesca, com atividades agropecuária, extrativista, agroindustrial, aquícola ou pesqueira.

Ramo Crédito

Outro ramo que não passou por alterações. Continua composto por cooperativas que prestam serviços financeiros aos cooperados, como cooperativas de crédito com acesso aos instrumentos do mercado financeiro, conforme regulamentação do Banco Central.

Conclusão

Como pudemos ver, o cooperativismo brasileiro está mudando. Mesmo que, sob alguns aspectos, não haja dados expressivos de crescimento, o amadurecimento é nítido. Dessa maneira, é natural que haja readequação na quantidade de cooperativas em atuação em alguns dos ramos do cooperativismo.

A própria reorganização dos ramos do cooperativismo é um indício do amadurecimento. Afinal, a nova classificação aumenta a representatividade de muitas cooperativas.

Os novos ramos do cooperativismo permitem otimizar boas práticas da governança cooperativa ao proporcionar benchmarking mais preciso.

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