Inovação no cooperativismo: confira os resultados da pesquisa do Sistema OCB

Após dois anos, o Sistema OCB lançou a segunda edição da Pesquisa de Inovação no Cooperativismo Brasileiro. O questionário foi respondido por 1.001 cooperativas entre janeiro e fevereiro de 2024. 

Assim como na primeira edição, a categoria predominante entre os respondentes foi de cooperativas singulares, e o ramo de atuação, crédito. Já a região com mais participantes foi a Sudeste, em especial o estado de Minas Gerais.

Vamos olhar os resultados de perto? Mas, antes, é importante destacar que este é um recorte da Coonecta sobre os resultados da Pesquisa de Inovação. Para conferir a pesquisa na íntegra, é só clicar aqui!

Panorama geral da inovação

Que a inovação e o cooperativismo estão cada vez mais próximos você já sabe – e a pesquisa de inovação evidencia essa relação: 87% das cooperativas indicaram que a inovação é muito importante para o cooperativismo. Em média, a nota dada pelas cooperativas quando questionadas sobre a importância de inovar foi de 9,6.

Para manter o nível de inovação apresentado, as cooperativas investiram em alguns programas. De 950 entrevistados, 57% revelaram que desenvolveram cursos ou treinamentos de inovação na organização, e 70% apenas participaram desses programas. Em ambos os casos, o ramo mais engajado foi o de Crédito, com 69% e 81% de adesão, respectivamente.

Impactos da inovação

A Pesquisa de Inovação da OCB também apurou os impactos positivos causados pela implementação de práticas inovadoras. Cerca de 46% dos entrevistados revelaram que as inovações trouxeram maior agilidade em procedimentos externos. Mas essa não é única melhoria observada, confira:

  • Oferta de novos produtos/serviços: 26%
  • Aumento de faturamento: 25%
  • Maior visibilidade: 24%
  • Melhoria na divulgação da marca: 24%
  • Maior competitividade: 21%
  • Aumento no número de cooperados: 21%
  • Aumento de clientes: 21%
  • Sobrevivência do negócio: 20%
  • Aumento da distribuição de sobras: 8%

Quando falamos dos setores impactados, o marketing e a comunicação externa e o atendimento ao cliente dividem o primeiro lugar, com 53%. Já as outras posições do pódio são do setor de tecnologia, 48%, e o comercial, 43%.

Falta de cultura da inovação

Diante dos resultados apresentados, é inevitável assumir que a inovação é fomentada adequadamente nas cooperativas. No entanto, o resultado não é bem esse.

Mesmo sabendo sobre a importância da inovação, as cooperativas reconheceram que não a incentivam como deveriam. A nota média dos representantes das cooperativas sobre o fomento da cultura da inovação foi de 6,4.

O maior desafio é inserir a inovação no dia a dia dos cooperados e colaboradores e fazer com que eles entendam a importância de melhorar as práticas e os serviços da cooperativa. “Dificuldade é estimular o pessoal a gerar ideias, é criar essa cultura da inovação e a cultura a gente sabe que não é uma coisa que se cria em curto prazo”, relatou um entrevistado.

Outro ponto evidenciado pelos entrevistados foi a falta de recursos financeiros. “Existe uma limitação, que são os recursos financeiros. A gente é pequeno, então muitas vezes faltam recursos para aquilo que queremos fazer e entregar.”

Essas dificuldades são refletidas na nota de integração de novas tecnologias, que foi de 6,8. As notas mais baixas foram atribuídas pelas cooperativas que possuem um faturamento inferior a R$ 360 mil, ou de R$ 360 mil a R$ 4,8 milhões.

O que podemos concluir

É evidente que ainda temos um longo caminho para percorrer na inovação cooperativista. Mesmo com a consciência de que práticas inovadoras podem alavancar seu desenvolvimento, as cooperativas ainda passam por algumas dificuldades para implementá-las.

Nesta edição da Pesquisa de Inovação no Cooperativismo Brasileiro do Sistema OCB, as três principais faltas apontadas pelos cooperados são de: capital e financiamento; organização; e capacitação da equipe de cooperados e colaboradores. Junto a isso, também foi evidenciado o desinteresse por parte dos cooperados e da alta administração.

Para a felicidade de todos, a situação é reversível e tende a melhorar, afinal, o Sistema OCB, a Coonecta e muitas outras instituições estão focadas em fazer com que as cooperativas sejam reconhecidas na economia atual. Uma das maneiras que podem auxiliar o desenvolvimento dessas instituições é um ecossistema de inovação cooperativista.

Para se aprofundar nessa jornada de inovação, vale conhecer o RadarCoop, a comunidade de empreendedorismo e inovação cooperativista, criada pela Coonecta e pelo Complexo.lab, com o apoio da Sicredi Pioneira e da Zixbe.

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Gustavo Mendes
Gustavo Mendes
Cofundador da Coonecta, especialista em curadoria de conteúdo para educação corporativa e marketing de conteúdo, palestrante e mentor em: inovação, cooperativismo de plataforma, cooptechs e empreendedorismo cooperativo