Por que o olhar humano do cooperativismo pode ser a chave para a inovação

O olhar humano do cooperativismo, focado no cooperado, pode ser a chave para a inovação. Grandes corporações não-cooperativistas já descobriram isso.

A ideia é simples: inovar começando pelas pessoas, entendendo seus problemas. E não inovar apenas para replicar uma tecnologia ou para atender alguma necessidade interna da empresa.

O interessante é que muitas cooperativas, que têm o ser humano como ponto central de sua atuação, estão com dificuldades de inovar. O problema, em muitos casos, está na execução, em como fazer isso na prática.

E o Design Thinking é uma abordagem poderosa para tornar o foco no ser humano o componente essencial da inovação.

É uma abordagem, aliás, que traz exatamente as mesmas características do cooperativismo: cooperação, empatia, colaboração e experimentação.

Portanto, é possível afirmar que Design Thinking e cooperativismo têm total relação: ambos colocam o ser humano em primeiro plano.

Em outro post aqui na Coonecta, já mostramos por que o Design Thinking é a ferramenta ideal para a inovação no cooperativismo.

A importância da pesquisa no Design Thinking

Numa jornada de inovação no cooperativismo, um dos primeiros passos é se colocar no lugar do cooperado e traçar uma estratégia de acordo com o que as pessoas precisam, pensam e dizem.

A melhor forma de enxergar pelo olhar humano é indo a campo. Sair do cooperativa para ouvir as pessoas vai te trazer as informações sobre as necessidades, sentimentos, dores e vontades do ser humano para o qual as soluções serão projetadas.

As pessoas nem sempre falam o que pensam, nem sempre agem da forma que falam e assim por diante. Elas podem ser confusas.

O objetivo dessa exploração é sempre entender as dores do usuário, o que funciona, o que não funciona, o que ele acha do serviço, como ele se sente com o serviço.

Para que a experiência seja 100% completa, não adianta fazer uma simples abordagem com perguntas do tipo “o que você acha sobre isso?”. O processo vai além, muito além!

É necessário observar o processo, se possível viver a experiência do cooperado. Sentir na pele cada fase daquela vivência.

Para facilitar, há um processo que vai te ajudar na organização dessa etapa. É importante usar as três ferramentas principais para apuração a campo: entrevista, observação e empatia profunda.

1. Entrevista em profundidade

Crie um roteiro de entrevista com os seguintes tópicos: apresentação (nome, idade e profissão), impressões causadas no cooperado, principais dificuldades do cliente, sentimentos, pontos negativos/positivos e enfatizar cenários paralelos àquela situação.

Uma grande dica é não esquecer que o roteiro é para guiar, não para engessar suas ideias.

Durante as entrevistas, coisas novas e importantes podem aparecer e contribuir para sua pesquisa, então esteja aberto e atento.

Outro ponto importante: escute mais do que fale. Deixe o entrevistado à vontade e com tranquilidade para se expressar, sem julgá-lo ou opinar sobre o assunto.

2. Ferramenta de observação

Nesta fase, você precisa analisar e anotar todas as ações relevantes do cooperado.

Tente não interagir, observe de longe e, se possível, depois faça a entrevista com a pessoa para ter mais profundidade.

Este momento é importante, pois vai além das palavras da pessoa. É aí que se mostra o real comportamento da sua persona.

3. Empatia profunda

É neste momento que você deve vivenciar na pele o processo do serviço em questão. É importante agir como vida real para conhecer por inteiro como aquilo funciona.

Perceba tudo ao seu redor: cenários, tempos, cheiros, barulhos, incômodos e satisfações.

Não se esqueça de focar nas necessidades, nos sentimentos, nas dúvidas, nas dificuldades dos entrevistados e dos observados.

Nas pequenas coisas podem surgir importantes aprendizados sobre essa pessoa.

Por fim, outra dica importante para que este processo tenha sucesso é se organizar antes de ir a campo, dividindo as tarefas entre os integrantes do time as tarefas.

No fim de todo o procedimento, guarde todas as informações coletadas e os post-its produzidos ao longo da pesquisa. Essas informações serão fundamentais para a etapa seguinte, de redefinição.

Considerações finais

Nessa etapa do Design Thinking, lembre-se de:

  • ir sempre sem julgamentos, com curiosidade para saber sobre a pessoa;
  • ter a consciência de que suas impressões pessoais podem ser diferentes do outro;
  • e tentar ao máximo captar toda a vivência.

Ah, e esteja atento, pois cada informação pode ser importante para o seu projeto.

Ao final da pesquisa de campo, todas as informações colhidas são analisadas e começamos a identificar padrões. Esses padrões irão demonstrar problemas de forma mais geral da cooperativa, e não necessariamente a visão específica de uma pessoa entrevistada.

Essa é apenas uma etapa do processo de Design Thinking. Para conhecer outras e saber como o Design Thinking pode ser útil para a inovação no cooperativismo, fique ligado no blog da Coonecta e se inscreva para receber novidades em seu e-mail.

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Lucas Toyama
Lucas Toyama
Consultor especializado em Design Thinking, desenvolve treinamentos na área para grandes empresas. Como consultor de inovação, tem liderado projetos para consultorias de Design (Livework, Tellus, Kyvo, Echos) e empresas como Visa, Claro, Net, Seara e Globosat.