Radar Coonecta: um mapeamento inédito do ecossistema de inovação cooperativista

O Radar Coonecta é o primeiro mapeamento do ecossistema brasileiro de inovação no cooperativismo. Levando em conta que as cooperativas atuam – e inovam – em uma dinâmica diferente das empresas mercantis, o Radar Coonecta busca entender as dinâmicas do ecossistema cooperativista, revelando os atores e suas contribuições para o empreendedorismo cooperativo.

Com isso, o Radar Coonecta almeja dar um ponto de partida para o desenvolvimento e amadurecimento desse ecossistema. E qual a melhor forma de realizar essa tarefa? A resposta é: conhecê-lo melhor.

O nosso Radar quer identificar e unir os pontos que constroem esse ecossistema de inovação do cooperativismo, mapeando não apenas cooperativas, mas toda e qualquer organização que se relaciona e apoia a inovação cooperativista. Dessa maneira, as conexões se evidenciam, as interações se adensam e, consequentemente, a inovação prospera.

Divulgamos os primeiros resultados do Radar Coonecta no Cooptech 2022, nosso congresso focado em inovação e cooperativismo. Portanto, saiba mais sobre o contexto, as motivações e a metodologia do Radar Coonecta.

Inovar no cooperativismo é diferente

Na Coonecta, acreditamos que a inovação é diferente no cooperativismo, em especial a inovação aberta. Isso acontece porque, no modelo cooperativista, as novas ideias não visam somente impactar os negócios e não há possibilidade de cessão de equity (participação societária) aos atores do ecossistema.

Tais características mudam completamente a dinâmica de um ecossistema com essência cooperativa. Afinal, além da questão econômica, as cooperativas são fortemente guiadas por guiadas propósitos, valores e impacto social.

Na prática, precisamos mapear organizações que tenham propósito semelhante para apoiar este ecossistema. Isso porque a inovação, para ser consistente, precisa ter uma rede de apoio que disponibilize recursos, dos mais variados, para o seu florescimento.

Tal alicerce é composto tanto por recursos financeiros, quanto conhecimento, material humano, capacidade técnica e modernização tecnológica. Desse modo, as transformações necessárias saem do papel. 

Esse pilar de apoio que proporciona um ambiente vibrante de inovação é o que chamamos de ecossistema, proporcionando as ferramentas adequadas para as startups cooperativas e os novos empreendimentos do cooperativismo. Mas como funciona um ecossistema de inovação?

O que é um ecossistema de inovação?

Conceito originalmente adotado pela biologia, o ecossistema consiste em uma rede de atores que se conectam e interagem para criar um ambiente específico.

Assim, os ecossistemas de inovação descrevem o contato e a conexão entre diversos atores de um ambiente. As relações são estabelecidas por meio de compartilhamento de informações, dados e experiências e disponibilização de recursos. Tudo isso converge para o desenvolvimento de novas ideias, métodos, ferramentas e tecnologias. 

A professora Elizabeth Hoffecker, do MIT, descreve assim o que é um ecossistema de inovação local:

“Uma comunidade de atores interconectados, com base em um lugar específico, que interagem de forma a criar inovações e apoiar processos de inovação juntamente com infraestrutura e ambiente propícios que ajudem no desenvolvimento e disseminação de soluções para os desafios locais”. 

Como funciona um ecossistema de inovação?

Um ecossistema de inovação é formado pelas organizações que exercem atividades inovadoras e tudo mais ao seu redor que possibilita sua operação.

Em um ecossistema de inovação consistente, os atores se unem para criar um ambiente colaborativo e inovador. Para isso, todos eles trabalham juntos e compartilham resultados em comum. 

Os participantes do ecossistema interagem, de forma que suas ações impactam os demais atores, de acordo com o nível de influência entre eles. 

Neste artigo, explicamos mais a fundo as características, o funcionamento e as abordagens dos ecossistemas de inovação. Confira!

Por que o Radar Coonecta foi feito?

Levando em consideração que, como dissemos, inovar em uma cooperativa é diferente, acreditamos que há um ecossistema de inovação específico ao redor das startups cooperativas.

Portanto, a inovação cooperativista opera dentro de um contexto que considera suas peculiaridades, propósitos, vantagens e limitações. O problema é que conhecemos muito pouco sobre esse ecossistema. Diante disso, fizemos uma série de perguntas como:

  • Quantas startups cooperativas existem no Brasil?
  • Quais são os novos negócios criados pelas cooperativas brasileiras?
  • Quem apoia a inovação no cooperativismo? 
  • Onde há recursos para promover o desenvolvimento do empreendedorismo cooperativo?

E não encontramos respostas. A falta de conhecimento sobre as conexões que formam o ecossistema brasileiro de inovação cooperativista se evidenciou como uma lacuna importante para o amadurecimento do empreendedorismo cooperativo.

O Radar Coonecta surge com a finalidade de preencher esse espaço. Com o mapeamento do ecossistema de inovação cooperativista, nosso objetivo é identificar os atores que protagonizam, possibilitam e sustentam o empreendedorismo cooperativo no Brasil. 

Mais conexões, mais inovações e mais empreendedores

Ecossistemas de inovação são complexos. Cada organização presente nesse ambiente cumpre um papel diferente. E é a partir da interação deste atores que a inovação surge.

Ou seja – ao conectar os pontos, fazemos a inovação acontecer. Só que, antes de tudo, é importante saber o papel de cada um desses pontos e como ele pode contribuir para o desenvolvimento das startups cooperativas e novos empreendimentos cooperativistas. É por isso que o Radar Coonecta é tão importante.

Além disso, o Radar Coonecta ainda tem outro objetivo: auxiliar quem almeja iniciar uma startup cooperativa. Sem um mapeamento, não é fácil identificar os atores na busca por apoio nessa jornada. Com isso, o Radar Coonecta ilumina os caminhos para quem quer explorar o segmento. 

Metodologia do Radar Coonecta

Há diversas metodologias empregadas com o intuito de mapear ecossistemas de inovação. O mais tradicional deles é baseado em classificações setoriais – ou seja, classifica as organizações a partir do setor que ela faz parte.

Dentro dessas, o modelo mais proeminente é composto por hélices. O modelo de tripla hélice conta com academia, governo e setor privado. Com o tempo, a abordagem ganhou mais um setor, a sociedade civil organizada, o que o tornou conhecido como modelo de quádrupla hélice.

Todavia, embora tenha suas aplicações, esse modelo também conta com uma série de restrições. A principal é a falta de profundidade para compreender ambientes complexos e dinâmicos. Afinal, organizações de um mesmo setor podem cumprir funções completamente diferentes no ecossistema de inovação.

Por esse motivo, o Radar Coonecta utiliza um outro modelo: o TE-SER, desenvolvido pelo MIT D-Lab. Trata-se de um modelo de ecossistema baseado em atores e seus papéis. O princípio é: não basta rastrear os atores e seus setores, mas, principalmente, quais papéis eles cumprem no funcionamento do ecossistema.

Os 7 papéis identificados no Radar Coonecta

Os atores do ecossistema de inovação cooperativista mapeado pelo Radar Coonecta são provenientes dos mais diversos setores da economia. Elas podem, por exemplo, ser associações, organizações setoriais, grandes cooperativas, empresas mercantis, espaços de inovação, aceleradoras, entre outras iniciativas. Basta que estas organizações se relacionem com as cooperativas de alguma forma para que sejam mapeadas.

Radar Coonecta metodologia

O diferencial do Radar Coonecta é identificar quais papéis elas cumprem no ecossistema de inovação cooperativista. Os 7 papéis são os seguintes:

Empreendedores cooperativos:

São os atores centrais do Radar Coonecta, levando em frente a inovação dentro do modelo de negócios do cooperativismo com apoio dos demais atores e papéis do ecossistema. Consistem, em geral, de:

  1. startups cooperativas
  2. negócios inovadores de cooperativas estabelecidas (spin-offs).

Sobre o último item, vale destacar: ele engloba não apenas “cnpjs” de cooperativas, mas também todo e qualquer novo negócio que tenha sido criado por uma cooperativa. Por exemplo, se diversas cooperativas se unem para criar uma empresa de marketplace para atender seus cooperados, isto é considerado um spin-off.

Habilitadores:

Proporcionam apoio ao desenvolvimento de iniciativas inovadoras fornecendo recursos diversos, tais quais: treinamento, consultoria, financiamento, infraestrutura etc. Encaixam-se, aqui, incubadoras e aceleradoras de startups cooperativas e centros de formação técnica, por exemplo.

Conectores:

Unem os pontos, conectando empreendedores cooperativos aos demais atores que atuam no ecossistema. Isso gera novos relacionamentos, ações conjuntas, intercooperação, difusão de conhecimento e compartilhamento de recursos. Os conectores são: conselhos setoriais, câmaras empresariais e hubs de inovação, dentre outros.

Articuladores:

Organizações públicas ou privadas que criam e executam políticas públicas de incentivo à inovação com impacto social. Consequentemente, levam estabilidade e coerência ao ambiente de inovação. Tratam-se secretarias de governo, ministérios de Estado e ONG que executam e fiscalizam políticas públicas.

Geradores de conhecimento:

São as instituições de pesquisa e desenvolvimento responsáveis pela geração de conhecimento. A partir de suas descobertas, os geradores de conhecimento possibilitam o desenvolvimento de novos projetos e ferramentas de inovação. Universidades, centros de pesquisa e departamentos de inovação são exemplos.

Promotores:

Comunicam as iniciativas inovadoras de empreendedorismo cooperativo. Dessa maneira, dão visibilidade a exemplos inspiradores, difundindo a cultura da inovação. São os meios de comunicação em geral.  

Comunidades:

Organizações formais ou informais da sociedade civil que colaboram espontaneamente entre si, agregando dinamismo ao ecossistema. Têm o intuito de compartilhar conhecimento entre seus integrantes, de maneira a fornecer suporte mútuo entre os participantes. Exemplo: comunidades de empreendedorismo, tecnologia e inovação. 

Conclusão

Os primeiros resultados do Radar Coonecta já estão disponíveis e são o ponto de partida para a Coonecta promover uma gama de ações, com a finalidade de adensar o ecossistema de empreendedorismo cooperativo, impulsionando a inserção das coops na economia digital. 

As informações dos atores do ecossistema são coletadas por meio de formulários e, então, são classificadas no mapeamento de acordo com o papel que desempenham. Este processo de coleta é ininterrupto e dinâmico. Afinal, os ecossistemas são dinâmicos.

Ou seja, essa primeira divulgação é só o começo do projeto. O Radar Coonecta vai ampliar a varredura de atores, divulgar relatório detalhados do ecossistema e promover encontros entre os atores que sustentam a inovação cooperativista.  

Baixe agora a 1ª edição do Radar Coonecta!!

spot_img
spot_img
spot_img

Relacionados

Gustavo Mendes
Gustavo Mendes
Cofundador da Coonecta, especialista em curadoria de conteúdo para educação corporativa e marketing de conteúdo, palestrante e mentor em: inovação, cooperativismo de plataforma, cooptechs e empreendedorismo cooperativo