Vínculo é forte, mas participação não acompanha: o retrato da cultura cooperativista no Brasil

O AnuárioCoop 2026 mostrou que o cooperativismo segue crescendo e atingindo um público ainda maior, fechando o ano de 2025 com 29 milhões de cooperados e mais de 613 mil empregos diretos. Nos últimos sete anos, em média, 6.160 pessoas se associaram a uma cooperativa por dia. No entanto, o aumento do número de pessoas não é diretamente proporcional à participação delas na cooperativa.

Buscando entender melhor como está a cultura cooperativista, definida como a forma como as pessoas pensam, se relacionam e agem com base nos valores e princípios do cooperativismo, o Sistema OCB realizou a Pesquisa Nacional de Cultura Cooperativista. A pesquisa ouviu 9.761 pessoas dos 27 estados brasileiros entre janeiro e março de 2026 e apresentou os maiores desafios das cooperativas quando o assunto é participação.

Do total de respondentes, 61% são empregados, 31% cooperados e 8% dirigentes. Na divisão por gênero, as mulheres representaram 51% dos participantes. A própria OCB destaca que foi mais fácil ouvir os empregados do que os cooperados, um indício de que o desafio da participação aparece já na hora de responder à pesquisa.

Desafios da cultura cooperativista: participação e falta de voz ativa

A pesquisa mostra que o vínculo com o cooperativismo é forte. Entre os cooperados ouvidos, 93% sentem o dever moral de honrar os compromissos assumidos com a cooperativa, 89% pretendem manter uma relação de longo prazo porque acreditam nela e 87% recomendariam a cooperativa a um amigo ou familiar.

Mas, se o vínculo é sólido, o que impede os cooperados e colaboradores de participarem? O relatório aponta que os principais problemas são a falta de tempo, 36%, e de informação sobre como participar, 22%. 

Os dados também mostram que 12% não sabiam que podiam participar e 10% apontam falta de conhecimento sobre o cooperativismo. Já a falta de interesse foi a barreira menos citada, mencionada por apenas 9% dos respondentes. Isso mostra que parte dos cooperados e colaboradores não se afastam por falta de vontade, mas por não saberem que podem participar e como isso acontece.

No cooperativismo financeiro, esse fenômeno fica mais evidente. O Ramo Crédito cresceu 115% entre 2019 e 2025, e 43% dos respondentes do crédito citaram ao menos uma barreira de informação para participar. 

É aí que entra o 5º princípio do cooperativismo: Educação, Formação e Informação. Ele foi o mais valorizado por todos os públicos na pesquisa: 71% dos empregados, 58% dos cooperados e 57% dos dirigentes.

Sucessão: faltam jovens entre os cooperados

Outro alerta da pesquisa diz respeito à sucessão. Os jovens de 18 a 34 anos representam 45% dos empregados ouvidos, mas apenas 17% dos cooperados e 6% dos dirigentes. Entre os próprios dirigentes, a afirmação de que a cooperativa terá pessoas capazes e preparadas para suceder os líderes atuais foi a segunda com menor concordância.

Para aprofundar: livro Raízes e Fundamentos do Cooperativismo

Os desafios que a pesquisa revela não surgiram agora. Em 2024, durante o 15º Congresso Brasileiro do Cooperativismo, as cooperativas já colocavam a cultura no centro da conversa, sendo classificada como prioridade para o futuro do cooperativismo. Esse debate deu origem ao livro Raízes e Fundamentos do Cooperativismo, publicado pelo Sistema OCB.

A obra parte das origens da cooperação, passa pelo cooperativismo moderno e sua chegada ao Brasil e finaliza com os temas de identidade, símbolos, valores e memória. Além disso, o livro pontua que o desafio permanente é transformar cooperados em cooperativistas e a resposta está em um dos princípios do cooperativismo.

  • O livro pode ser acessado on-line ou baixado em PDF e EPUB clicando aqui!

Relacionados