O Cooptech Crédito 2026, realizado nos dias 20 e 21 de maio na Amcham Business Center, em São Paulo, reuniu mais de 450 participantes de 100 cooperativas diferentes e mais de 50 palestrantes para discutir o futuro e a inovação no setor de cooperativismo de crédito brasileiro.
Com o tema central “A gestão do equilíbrio: essência e resultados na era digital”, o encontro abordou como as instituições podem acelerar a modernização e a adoção tecnológica sem abrir mão de sua identidade, do impacto social e do relacionamento humanizado.
Durante os dois dias, especialistas e gestores de cooperativas compartilharam experiências e debateram temas fundamentais para a sustentabilidade do setor. A programação, distribuída em três palcos paralelos com mais de 35 sessões de conteúdo, englobou assuntos como o uso de IA no ciclo de crédito, a hiperautomação para ganho de eficiência operacional, os novos rumos do Open Finance e os desafios de competitividade e governança corporativa.
Produzido pela Coonecta, o Cooptech Crédito 2026 contou com a Federação Nacional das Cooperativas de Crédito (FNCC) como parceira de conteúdo. O patrocínio platinum foi de Veritran, Faciltech, Ubots e Zallpy. Na categoria Gold foram Sincronica, Atlasgov, Lecom, Nexum, Threeo, Sistema OCB e Tecnobank. Os patrocinadores Silver foram Gyra+, Konstit, Carbigdata e Assertiva. O evento teve o apoio de Sesccop/SP, Cooperativa Coletiva, Comissão de Cooperativismo da OAB/SP e BR Cooperativo.
Palco Estratégia: especialistas falam sobre IA e resultados
Dando início aos debates no Palco Estratégia, o painel “A gestão do equilíbrio: essência e resultados na era digital” reuniu Roberta Caldas, presidente da Transpocred, e Álvaro Link, presidente da Sicredi Caminho das Águas, sob a mediação do especialista em cooperativismo Harold Espínola.
O debate girou em torno do uso da Inteligência Artificial e de novas tecnologias para obter eficiência operacional sem abrir mão do relacionamento humanizado e do impacto social. “Talvez a grande inovação seja o encontro do ser humano com o ser humano. Está ali a potência do nosso negócio”, declarou Link.
Na sequência, Aristides Cavalcante, chefe do Departamento de Gestão Estratégica e Supervisão Especializada do Banco Central do Brasil (Bacen), ministrou a palestra “Cibersegurança no Sistema Financeiro: resiliência para inovar com segurança”. O especialista apresentou os principais riscos cibernéticos recentes no Sistema Financeiro Nacional, analisando táticas do crime organizado envolvendo APIs e roubo de credenciais, além de detalhar as medidas regulatórias do BC para fortalecer a resiliência do setor.
Após o intervalo, a programação retornou com Paula Godke, sênior head de estratégia de dados & IA, que abordou o tema “Crédito e IA: da decisão à inteligência”. Em sua apresentação, ela explorou a evolução das ferramentas de análise de risco, apontando como o mercado caminha do tradicional decisioning para o conceito de decision intelligence, em que o contexto e a geração de insights se tornam o verdadeiro diferencial competitivo.
Paula trouxe um questionamento: “O futuro do crédito não é automatizar a decisão. A gente já automatizou. Hoje, boa parte dos bancos tem 90% ou mais das decisões automáticas. Mas o fato é que agora o modelo deixa de ser o problema. O ponto é como que a gente realmente acrescenta inteligência ao modelo e torna esse processo inteiro mais funcional”.
Encerrando as atividades da manhã, André Rezek, sócio do Grupo Fácil e CEO da Fáciltech, e Bruno Samora, diretor de produtos da Matera, falaram sobre “Como integrar sua Cooperativa aos Sistemas de Pagamento de forma segura e independente”. Os palestrantes trouxeram uma visão estratégica sobre como as cooperativas podem se conectar ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) com maior autonomia operacional, fortalecendo a governança tecnológica e reduzindo dependências.
Escala e essência podem andar juntas
Na segunda parte do dia, Marcelo Savegnago, assessor de negócios da Cresol Confederação, apresentou a palestra “Crescimento e identidade: como a Cresol expande os negócios sem perder a essência cooperativista”. O foco da apresentação foi detalhar a estratégia de expansão nacional da instituição, destacando como o acesso ao crédito atua como motor de crescimento sem descaracterizar os propósitos e princípios do modelo cooperativo.
O painel seguinte discutiu “Como as cooperativas podem ter vantagens competitivas na oferta de serviços financeiros”, com a participação de Wagner Martin, VP de relações institucionais da Veritran, Dagoberto Trento, sócio da Innoscience Consultoria, e Robson Pessoa, executivo de negócios da Coopersystem.
“Acho que o primeiro passo é entender o contexto em que as cooperativas estão hoje. Nós precisamos observar o contexto de uma maneira mais ampla, entender o que está acontecendo na nossa sociedade, entender o que está acontecendo no nosso setor e, a partir daí, buscar ressignificar a nossa proposta de valor”, afirmou Trento. O debate abordou tendências em soluções de pagamentos, inovação aberta e novas jornadas financeiras para impulsionar a competitividade do setor.
Em seguida, o painel “Arranjo institucional do cooperativismo financeiro: tendências e desafios” trouxe as perspectivas de Ivo Lara Rodrigues, diretor-presidente da FNCC, e Harold Espínola, especialista em cooperativismo, sob a mediação de João Tavares, presidente do conselho de administração do FGCoop. Os painelistas analisaram a coordenação sistêmica do setor para os próximos anos, avaliando as vias de expansão de cooperativas singulares, centrais, confederações e independentes.
Gustavo Freitas, diretor executivo de crédito do Sicredi, comandou a palestra “Gestão de risco da carteira de crédito rural no Sicredi”. Ele avaliou as conexões das cooperativas com as cadeias de valor produtoras, os impactos de choques macroeconômicos e climáticos no agronegócio e as práticas adotadas pela instituição financeira para a mitigação de riscos na concessão do crédito rural.
Fechando o primeiro dia de conteúdos do Palco Estratégia, o painel “Além do crédito: como diversificar receitas de produtos e serviços” reuniu Rafael Carelli, diretor de negócios da Unicred e diretor da ZIIN, e Thiago Rossoni, diretor executivo de produtos e serviços do Sicredi, com mediação de Adelino Sasse, diretor de produtos e negócios do Sistema Ailos.
Os executivos compartilharam experiências sobre consórcios, seguros e plataformas de investimentos abertas como caminhos para fortalecer a sustentabilidade financeira e gerar novos resultados para os cooperados. “Eu acho que tem o risco, sim, de se desconectar da proposta, na medida em que a gente não estiver conectado com o ciclo de vida e o ciclo financeiro do associado. Se entregarmos produtos e serviços que não se conectam com a necessidade do cooperativo, a gente quebra o nosso senso de coletivo e até a razão de existir como cooperativo”, apontou Rossoni.
Segundo dia: mudanças no mercado e coops independentes
O segundo dia no Palco Estratégia foi aberto por Sergio Biagini, sócio líder da indústria de serviços financeiros da Deloitte Brasil, com a palestra “Perspectivas e tendências da Indústria Financeira”. O palestrante trouxe um olhar estruturado sobre as transformações globais de mercado, a evolução do ecossistema digital e as mudanças de comportamento dos clientes que redefinem as dinâmicas de competitividade.
Na sequência, Ivo Lara Rodrigues, diretor-presidente da FNCC, apresentou o tema “Gestão de equilíbrio: a missão de liderar cooperativas sistêmicas ou independentes”. Ele falou sobre as pressões, o futuro e a causa raiz desse dilema. “A clareza que eu tenho é que nós não estamos para nos servir. Nós estamos efetivamente aqui para servirmos. É isso que faz a diferença”, afirmou Lara.
Logo após o intervalo, Rafael Souza, CEO da Ubots, conduziu a palestra “Conversas Blindadas: O papel da IA na segurança e monitoria de qualidade em escala”. O especialista detalhou a aplicação prática de inteligência artificial generativa e tecnologias de automação no WhatsApp, demonstrando caminhos validados para que grandes cooperativas alcancem compliance total e segurança nas comunicações sem perder escala.
Encerrando a manhã do segundo dia, o painel “Open Finance: a agenda rumo à portabilidade de salário, investimentos e crédito” contou com a palestra de Janaína Pimenta Attie, consultora no Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Bacen, seguida por debate sob mediação de Paula Fantinel, gerente de Open Finance do Sicredi. A sessão detalhou como o ecossistema consolidado de compartilhamento avança para dar ao cooperado controle total sobre dados transacionais e promover um modelo de livre concorrência.
Estratégia no cooperativismo de crédito
Abrindo os painéis da tarde do Cooptech Crédito 2026, o tema “Novo ramo seguros e as cooperativas de crédito: onde estão as oportunidades” foi debatido por Helton Freitas, presidente da Seguros Unimed, e Carlos Queiroz, diretor da Diretoria de Organização de Mercado e Regulação de Conduta da Susep. A mediação ficou a cargo de Hugo Andrade, coordenador de ramos do Sistema OCB.
Os participantes abordaram o impacto regulatório e as perspectivas desse marco institucional, que abre caminhos para parcerias e estratégias de fidelização de cooperados. “Se a gente vai fazer seguro, seguro é risco, né? Você tem que bancar risco. Se você vai bancar risco, você tem que ter estrutura patrimonial, você tem que ter capital. Nós temos princípios, temos valores”, reforçou Freitas.
Em seguida, Filipe Mittmann, sênior principal agile leader da Zallpy, e William Meneghelli, coordenador de Planejamento Estratégico da Viacredi, apresentaram o painel “De 1 para 25 times: como a Viacredi escalou a agilidade para conectar estratégia e execução”. O case detalhou o processo de adoção da cultura ágil na maior cooperativa de crédito do país, que permitiu sair de um fluxo caótico de demandas para um modelo de entregas previsíveis e alinhadas ao propósito corporativo.
Alexandre da Silveira, CIO da Unicred, apresentou a palestra “A Estratégia de IA da Unicred”. O executivo explicou a jornada estruturada da instituição para a implementação de Inteligência Artificial voltada à transformação de produtos e serviços, detalhando estratégias de eficiência operacional que mantêm a segurança e a proximidade do relacionamento com o cooperado.
Finalizando a grade de programação do Cooptech Crédito 2026, José Luiz Homem de Mello, advogado e sócio da Pinheiro Neto Advogados, ministrou a palestra “O futuro do crédito: regulação, tecnologia e fintechs”. O especialista trouxe uma análise minuciosa sobre as novas diretrizes regulatórias e requisitos prudenciais do Banco Central, além do impacto competitivo gerado pelas fintechs no mercado e as novas exigências de proteção de capital.
O advogado detalhou as diretrizes prudenciais da Resolução CMN n° 4966 e a elevação do requisito de patrimônio líquido mínimo para a casa dos R$ 10 milhões, sinalizando uma mudança de postura institucional. “O pêndulo agora está na proteção do sistema e não na inovação”, explicou.
Palco Resultados: cases de sucesso para se inspirar
O Palco Resultados foi outro espaço de importantes discussões no Cooptech Crédito 2026. O painel inicial foi “Expansão de cooperados: estratégias para crescer com equilíbrio”, com Jocélio Tavares, diretor executivo da Viacredi Alto Vale, e João Augusto Fernandes, presidente do Sicoob Credicom, sob a mediação de Adriana Spolti Grigol, presidente executiva do Sicoob MaxiCrédito.
O debate concentrou-se nas práticas das cooperativas singulares para expandir a base de associados de forma sustentável, evitando abordagens meramente comerciais e equilibrando escala e proximidade. “Não existe paraíso social em cima de ruína econômica. Isso é bobagem. Você toma prejuízo, sua sociedade vai ficar ruim para todos. A gente tem que trabalhar não só com volume, mas a gente tem que trabalhar com margem de contribuição. Se você não tiver margem, você não vai ter resultado”, apontou Fernandes.
Na sequência, o painel “A jornada invisível do cooperado: o que você não está vendo e já está te custando” foi conduzido por Eduardo Ribeiro, CEO da Threeo It Company, Margarete Flores, gerente de automação e processos do Sicoob Crediacil, e Rafael Katayama, gerente administrativo do Sicoob Mantiqueira. Os palestrantes propuseram um olhar minucioso sobre os bastidores operacionais das cooperativas, discutindo como problemas como retrabalho, gargalos de eficiência e falta de visibilidade interna impactam diretamente a retenção e o relacionamento com o cooperado.
A palestra de Rafael Carelli, diretor de negócios da Unicred e diretor da ZIIN, apresentou a ZIIN: primeira plataforma de investimentos de uma cooperativa. O executivo demonstrou como a cooperativa utilizou tecnologia e agilidade para modernizar a experiência de investimentos e ampliar substancialmente sua custódia ativa.
Ele aponta a importância da inovação: “Nós não criamos apenas um front-end bonitinho. Nós construímos uma infraestrutura de microsserviços que conversa direto com o ecossistema de investimentos, dando agilidade para que o próprio gerente, na ponta, consiga montar uma carteira recomendada pro cooperado em tempo real durante o atendimento.”
Logo depois, o painel “Desafios do cooperativismo: como a tecnologia como meio pode melhorar a performance” trouxe as perspectivas de Rodrigo Junqueira, CEO da Nexum Tecnologia, Daniel Cunha, head de estratégia do Sicoob Cecresp, e Maurício Bartocci, diretor-presidente do Sicoob Credimogiana.
Os debatedores analisaram como o uso estratégico da inteligência artificial e da automação pode gerar ganhos reais de eficiência corporativa e escalabilidade, transformando a performance operacional em vantagem competitiva sustentável.
Desafios, estratégias e governança no cooperativismo
Wagner Alquas, diretor financeiro do Sicoob Credicitrus, ministrou “A estratégia por trás do motor de decisão eficiente do Sicoob Credicitrus”. Durante a apresentação, ele detalhou como a combinação entre automação de dados e governança de riscos permitiu à cooperativa estruturar uma esteira de análise ágil, capaz de otimizar a concessão de crédito e trazer maior eficiência a toda a jornada do associado.
Ao exibir os resultados do ganho de eficiência, Wagner Alquas destacou: “Em 2021, com 21 pessoas, nós atingimos mais de 60% das demandas em um dia. Em 2025, com 22 analistas, mais de 80% das demandas em uma hora”.
Eduardo Shakir Carone, fundador e CEO da Atlas Governance, apresentou o tema “Governança Corporativa na era da IA: o novo padrão das decisões para cooperativas”. O palestrante abordou os impactos práticos da inteligência artificial no ambiente de tomada de decisões críticas e na análise de grandes volumes de dados por conselhos e líderes, destacando a relevância de uma estrutura de governança sólida para garantir decisões rastreáveis, seguras e auditáveis.
Encerrando os debates do primeiro dia no Palco Resultados, o painel “Desafios tecnológicos das cooperativas de crédito: inovação local e o desafio da autonomia” reuniu Lucas Bragagnolo, gerente de inovação do Sicredi Ouro Verde MT/PA, e Fernando Menon, gerente de tecnologia e processos da Sicredi Dexis, sob a mediação de Thiago Marino, coordenador de TI do Sicoob UniMais Rio.
A mesa conversou sobre soluções para superar gargalos técnicos estruturais e abordou como a adoção local de novas tecnologias impacta positivamente a jornada e a experiência do cooperado. “Hoje, a tecnologia não está só na confederação. Se a gente entender que a tecnologia está em todo o sistema, a gente pode aproveitar muito mais isso. Por que não? Usar a confederação como a fonte, tem a regra, tem os controles, mas apoiar as singulares nas pontas a desenvolverem um padrão deles e não proibi-las”, questionou Menon.
Segundo dia discute relacionamento e intercooperação
A abertura do segundo dia no Palco Resultados ficou a cargo de Gean Konrath, gerente de ciclo de crédito da Sicredi Ouro Verde, que ministrou a palestra “Recuperação de crédito: resultado e relacionamento”. O especialista apresentou a reestruturação estratégica da cooperativa na área de cobrança, demonstrando como a união entre modelos estatísticos, inteligência de dados e o uso proativo de ferramentas automatizadas permitiu um salto de performance na redução de perdas sem comprometer o vínculo com o associado.
Dando sequência aos trabalhos da manhã, Gilson Neves, superintendente de negócios da Sincronica, comandou a palestra “Equilíbrio inteligente: como a hiperautomação fortalece a essência cooperativista na era digital”.
A apresentação discutiu a hiperautomação sob uma ótica de decisão estratégica e não meramente tecnológica, evidenciando seu papel na redução de riscos operacionais e regulatórios e na ampliação de resultados práticos para o setor. “Não adianta automatizar o que está ruim. Não adianta colocar IA onde não tem dados estruturados. É o trem-bala em cima de um trilho de maria-fumaça. Não adianta. Então, não automatize a ineficiência”, reforçou.
Em seguida, o painel “Panorama do financiamento de veículos no Brasil: tecnologia, regulação e conectividade”, apresentado por Adriana Saluceste, diretora de tecnologia e operações da Tecnobank, e Adriano Bolonhezi, superintendente de negócios da Tecnobank. Os executivos analisaram o cenário de transformação digital e conectividade no compartilhamento seguro de dados para financiamentos automotivos, mostrando como a evolução regulatória atua para garantir operações mais ágeis.
Por fim, o estudo de caso “Intercooperação: a parceria de duas centrais do Sicoob em um fundo de fomento ao mercado imobiliário” trouxe a conversa entre Argemiro Mendonça, vice-presidente da Central Sicoob UNI, e Felipe Pinho, empresário e membro do Comitê de Investimentos do FINU.
Os palestrantes expuseram a governança, as regras de gestão de risco e a formação do funding conjunto desenhado pela parceria estratégica, evidenciando o potencial da intercooperação para ampliar o impacto do cooperativismo no desenvolvimento regional.
“No mundo inteiro, o maior agente de financiamento da habitação é o cooperativismo. Só no Brasil que não é ainda. Mas acho que isso vai fazer parte dessa mudança e, quando isso se acelerar, a gente acredita que o cooperativismo também vai ser um agente importantíssimo”, declarou Pinho.
Uso de dados para ganhar escala
Na volta do almoço, Rafael Ganzer, gerente de canais digitais, CRM e dados da Viacredi, detalhou as diretrizes de relacionamento da cooperativa na palestra “A estratégia de gestão do atendimento phygital na Viacredi”. O palestrante compartilhou as estratégias de automação e segmentação adotadas pela organização para integrar canais digitais e pontos físicos, permitindo escalabilidade e liberando as equipes operacionais para um atendimento mais consultivo.
Encerrando a grade de conteúdos do Palco Resultados, Paula Fantinel, gerente de Open Finance do Sicredi, e Elaine Jesus, analista de gestão de produtos – Open Finance do Sicredi, apresentaram a palestra “A experiência do Sicredi com o Open Finance”. A dupla compartilhou os principais casos de uso da instituição financeira cooperativa, demonstrando de forma prática como a ferramenta vem sendo aplicada estrategicamente para centralizar a gestão financeira e impulsionar a fidelização desde o onboarding do associado.
Lounge FNCC: cooperativas independentes no centro do debate
Iniciando as sessões de debate no espaço institucional, o painel “Como fortalecer a relação com o cooperado em momentos de crise” reuniu Daniel Cursino, diretor executivo da DBGM Marketing, e Weder Ribeiro, diretor-presidente da CoopCargill.
O debate concentrou-se na importância de estruturar uma comunicação clara, ágil e empática diante de cenários de instabilidade, trazendo boas práticas de liderança para transmitir segurança, preservar a credibilidade e blindar a reputação das cooperativas em períodos de maior sensibilidade. “Em momento de crise, a primeira coisa do associado é pensar em retirar do capital. E, quando você vem com a comunicação assertiva, com transparência, ele se mantém seguro dentro da cooperativa”, afirmou Ribeiro.
No final da tarde, a programação do espaço foi retomada com o painel “Como evoluir a governança de riscos nas cooperativas”, que contou com a presença de Johnny Brotas, fundador e CEO da QON Tecnologia, e Crisley Reis, gerente da Nescred. Os debatedores abordaram o papel fundamental da tecnologia e de plataformas integradas de Business Intelligence no monitoramento de indicadores estratégicos, planejamento, orçamento e relatórios de auditoria, permitindo que a liderança tome decisões mais ágeis e organizadas.
A abertura dos debates da manhã do segundo dia no ambiente da federação trouxe o painel “Diversificação: como ampliar valor ao cooperado com novas soluções”. Rodrigo Rossi Canuto, gerente comercial sênior do Sicoob Cecresp Corretora de Seguros, Fabio de Leão Topal, sócio proprietário da Duali Soluções, e Paulo Lavezo, gerente de negócios da CooperJohnson, mostraram caminhos para ampliar o portfólio de produtos e serviços por meio de parcerias e novas frentes de receitas.
“Quem determina a taxa de juros é o mercado. Se a gente não tivesse sempre só a ideia de que nós temos um crédito mais barato, a gente não vai conseguir sustentar isso por muito tempo”, declarou Canuto.
Finalizando o palco FNCC, o painel “Novo ambiente do crédito consignado: reflexos e caminhos para as cooperativas” reuniu Wellington Ferreira, gerente da Coopcredmais, e Valéria Pazzini, supervisora técnica da FNCC.
A mesa propôs uma reflexão sobre os impactos operacionais e regulatórios provocados pelas recentes mudanças no mercado de consignados, mapeando as alternativas de adaptação e os rumos estratégicos necessários para preservar a competitividade e a segurança do setor. “No cooperativismo independente, cada decisão define onde uma cooperativa pode chegar. O pior dos mundos é ficar em cima do muro, então pula e vai embora”, concluiu Ferreira.