Solidarity AI 2026 abre inscrições para conferencistas; diretor da Coonecta integra conselho

O que significaria projetar inteligência artificial a serviço da justiça climática, do cuidado comunitário e dos valores locais? Essa é a pergunta que guia a conferência Solidarity AI, evento organizado anualmente pelo Platform Cooperativism Consortium (PCC).

Em 2026, a discussão vai acontecer na capital da Tailândia, onde líderes de movimentos, pesquisadores, desenvolvedores de IA, políticos e defensores dos direitos digitais irão se reunir para buscar governanças democráticas que possam remodelar o uso da IA e suas infraestruturas subjacentes. A conferência ocorre entre os dias 12 e 15 de novembro.  

Além disso, o evento entregará o Prêmio Du Bois, que vai reconhecer um jovem pesquisador abaixo dos 35 anos cujo trabalho demonstre rigor metodológico, inovação e compromisso com comunidades marginalizadas na concepção de sistemas de IA. O Solidarity AI está com a chamada para palestrantes aberta até o dia 30 de abril

As propostas devem:

  • Estar claramente relacionado a um ou mais temas da conferência.
  • Incluir um resumo de 200 a 400 palavras.
  • Indicar se a inscrição é feita na qualidade de pesquisador, profissional ou híbrida.
  • Incluir referências, dados ou exemplos de implementação relevantes (quando aplicável).
  • Especificar o formato (artigo, workshop, demonstração, intervenção artística, etc.)
  • Indicar se deseja ou não ser considerado para o Prêmio Du Bois.

Sobre a Solidarity AI 2026

Bangkok e a Universidade Chulalongkorn serão sede para a conferência Solidarity AI 2026, organizada pelo PCC Global e pelo PCC Tailândia, que visa continuar a reflexão iniciada em 2025 na Cooperative AI Conference, em Istambul.

A fim de entender a quem pertence a IA – e a quem deveria pertencer -, os participantes vão debater as consequências de criar sistemas distantes de quem é afetado por eles e a importância de desenvolver tecnologias que garantam poder de escolha às comunidades diretamente impactadas por elas.

Temáticas do evento

A comissão já divulgou os macrotemas que serão pautados no evento. São eles:

  • Cadeias de suprimentos, financiamento e mão de obra em IA
  • Governança cooperativa de nuvem, dados e modelos
  • IA e limites ecológicos
  • Justiça linguística e IA no mundo da maioria
  • Infraestrutura pública digital e alternativas cooperativas
  • Escalando por meio da intercooperação
  • Recusa e limites
  • Direito, regulamentação e governança cooperativa da IA

Cooperativismo brasileiro marca presença na Solidarity AI 2026

A convite de Trebor Scholz, um dos principais nomes do cooperativismo de plataforma mundial, o cofundador da Coonecta Gustavo Mendes passa a integrar o advisory board do projeto.

“Acredito que participar do board de um evento desses é um reconhecimento ao papel da Coonecta como incentivadora do desenvolvimento do cooperativismo na economia digital. É ainda um reconhecimento da força do cooperativismo nacional por um evento de peso internacional”, ressalta.

Mendes aponta que o cooperativismo tem diversas nuances em cada país onde se desenvolveu, e representar o Brasil na organização de um evento desta magnitude é a chance de trazer um pouco da experiência brasileira para um debate que pode impactar o futuro do cooperativismo.

Tecnologias “com, por e para as comunidades”: um desafio do cooperativismo

Em nota oficial, a conferência afirma que o objetivo é encontrar maneiras de construir tecnologias com, por e para as comunidades que elas afetam, garantindo que aqueles que constroem, mantêm e são governados por sistemas de IA participem de forma significativa na sua definição.

Gustavo ressalta que o slogan “com, por e para as comunidades” não é novo, mas sim é o modelo de governança que o cooperativismo já pratica há 180 anos. A novidade, agora, é aplicar isso ao desenvolvimento de novas tecnologias:

“A ‘inteligência’ desses Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) vem da análise de um volume absurdo de conhecimento gerado por diversas comunidades. Na maioria dos casos, eles extraem os dados sem consentimento ou compensação de quem os gera e transformam isso em um negócio rentável para poucos. Se pararmos para pensar, a inteligência ‘artificial’, no fundo, é uma inteligência coletiva”, argumenta.

Por conta disso, Gustavo Mendes acredita na importância de colocar a inteligência coletiva na mão da própria coletividade.

Solidarity AI é pontapé para um futuro mais justo

Segundo Mendes, o que a conferência propõe é usar a tecnologia a favor das pessoas, e não o contrário. Ele questiona: “como podemos criar modelos de IA que sejam democraticamente controlados e que sirvam à coletividade?”

A resposta para essa pergunta pode ser o cooperativismo, e a conferência surge para aprofundar este debate e unir o mundo em busca de soluções ambientalmente e socialmente responsáveis.

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